Inovação sem parcelas: é possível elevar o nível da Saúde Digital brasileira

As novas tecnologias são hoje a forma mais rápida e eficaz de se diagnosticar, conectar e salvar vidas. Há muito espaço para a Saúde brasileira avançar neste campo e a capacitação, a cultura e o conhecimento são pilares essenciais para fomentar este progresso

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Desde o início da pandemia, estamos vivenciando um reconhecido “boom” na adoção de soluções da Saúde Digital, especialmente da telessaúde, que inclui os sistemas de gestão hospitalar e de clínicas e o prontuário eletrônico. Ainda assim, as oportunidades de investimentos em outras tecnologias de ponta seguem crescendo, especialmente naquelas ligadas à LGPD e também ao uso da inteligência artificial e do big data, o que nos faz refletir: o que falta para que a inovação tecnológica na Saúde avance ainda mais? 

Para Daniel Correa, professor da pós-graduação - MBA em Health Tech da FIAP, o desconhecimento de todo potencial da tecnologia para democratizar uma Saúde de excelência pode ser uma das respostas a essa pergunta: “Falta aos profissionais da Saúde o melhor entendimento sobre a aplicação das novas tecnologias disruptivas. Para mudar isso, é preciso que eles atualizem o próprio “mindset” e entendam que a tecnologia é aliada e não concorrente. Depois, ainda devem se engajar, o mais rápido possível, em um “hall” de tecnologias que já estão disponíveis e que podem ser aplicáveis em todas as áreas assistenciais e de operação." 

As principais barreiras hoje, portanto, seguem sendo muito mais culturais do que tecnológicas, mas, uma coisa é certa: não há mais volta à Saúde Digital: “A tecnologia veio para ficar e todo profissional de Saúde precisa urgentemente repensar o seu próprio papel para entender e sentir que a aplicação e o uso de tecnologias disruptivas nunca roubarão a característica humanizada da arte de atender, diagnosticar, curar e acolher outros seres humanos”, enfatiza Correa.  Ao contrário, o que a inovação trará é mais tempo para que esse profissional se relacione e tenha um acolhimento humanizado com seu paciente, sua equipe e com os familiares de usuários de um sistema de saúde.   

“Vamos deixar a tecnologia fazer o que é repetível, burocrático, mecânico para que o profissional da Saúde tenha mais tempo em acolher e cuidar de seres humanos”,  

Daniel Correa, professor da pós-graduação - MBA em Health Tech da FIAP 

Capacitar é preciso 

Todo esse entendimento e capacitação também deve chegar à Gestão da Saúde, com os próprios gestores entendendo que a tecnologia também não tomará a sua função, mas virá a somar esforços no cuidado da saúde: “Eu percebo, nas minhas aulas no MBA em Heath Tech, que gestores mais jovens buscam e tendem a aceitar melhor a aplicabilidade das novas tecnologias disruptivas, buscando sempre uma melhor qualidade no serviço oferecido e escalabilidade”, evidencia o professor.  

A mensagem mais importante nesse sentido é a de que, se não houver uma conscientização desse profissional, muito em breve, ele se tornará obsoleto: “Para o profissional de Saúde, além de toda a fundamentação teórica, da especialização, da prática, de horas de experiência de campo de trabalho e de atualizações, exige-se agora mais uma característica fundamental : o eterno buscar e inovar das tecnologias nas mais variadas áreas”, enfatiza Correa.  

“Eu me lembro que, no ano 2000, fiz uma cirurgia de catarata juvenil com o Dr. Walton Nosé usando robótica e foi fantástico: um procedimento rápido, indolor e extremamente seguro. Imagine o quão mais eficaz, segura e rentável essa cirurgia está hoje em dia com todas as inovações que surgiram?”, Daniel Correa, professor da pós-graduação - MBA em Health Tech da FIAP 

 E para começar a aproximação com as novas tecnologias, principalmente aquelas aplicáveis em Saúde, o professor sugere a capacitação em áreas como Inteligência Artificial, Block Chain, IoT, Metaverso, Tecnobiologia e Wearables:  “Dá para ver que tecnologia já temos de sobra! Só falta o gestor ou profissional de Saúde se apropriar desses conhecimentos e, com base nas suas próprias experiências começar ele mesmo a inovar, empreender e a se conectar com comunidades de Health Tech de referência para estudar e expandir seu conhecimento”, finaliza.  

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